quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Morena dos olhos D'água

Todos os dias venho ao mesmo lugar... Caminhadas tortas, sempre quinze minutos atrasada pra chegar em lugar nenhum. Sempre correndo atrás do invisível que insiste em embaçar a visão. Sempre disposta ao fazer nada dolorido. Assim seguindo... caminhando devagar, assim sem pressa. As horas vão passando, o sol nasce e morre todo dia e todo dia vou fingindo nascer ao acordar... Fingindo ser em mim. Perdida. Viciada. Emotiva e Des-emotiva-da. Des-emoti-vida. Respirando e cantando pra não poder ouvir os pensamento. Querendo ficar surda. E muda. Mudança. Sem dança, essa vida de hoje em dia. Sem muitas cores. Sem muita graça. Com um só cheiro. Um mesmo cheiro na roupa, nos dedos, na garganta e na alma. 
Andando por aí. Falando pouco. Enxergando pouco. 
Questionando cada sorriso na rua. 
Cada gargalhada nas mesas dos bares. 
Cada gemido dos orgasmos alheios. 
Cada abraço casual. 
Cada olhar quebradiço.
Cada fumaça que se dissipa no espaço.
Cada vento que bate em cabelo limpo e solta cheiro bom. 
Cada viagem sem volta.
Cada palavrão sem demora.
Cada adeus mal-dito. 
Cada tara 
Cada mesmice secreta
Cada beijo encharcado de nada.

Cada dia é dia de não ser. Não ser dia... não ser luz... não ser luar. 
E a cada grito, cada conversa, cada lágrima... algo de dentro vai apagando, assim, deixando de sen-t-i-r... Deixando de se importar, só querendo ir devagar. Sempre foi sabido que a felicidade é uma constante busca... Mas nos meus dias é apenas um eterno acúmulo perdido num vazio infinito.

Um choro meu. Um pedido.
A cada lágrima que cai salgada em cima do coração,


estou eterna.


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