Puta
viveu sua fase culta
do bordel pra esquina de qualquer rua
de bar em bar
Puta
sua cama é pra guardar troféus
de orgasmos falsos, caros, de papel
de papel
cada tara
mesmice secreta
no armário guardado o consolo
Mais uma vez, nunca de cara
nunca de cara...
Puta.
No desconsolo da pele, a rua aquece por fora da roupa. Roupa curta. Batom vermelho na boca manchada de desilusões. Corações. Partidos repartidos nos sentidos comedidos.
A tontura já subiu a cabeça. Gosto de vinho na língua. Língua já com gosto de você. E eu percebendo a cada passo porque gosto de você. Porque sou puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuutaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Uma vadia de charme corriqueiro.
Embriagada de delírios. Sedenta de expectativas. Enlouquecida pela poesia. Entorpecida. Sangrando por dentro. No dentro que corrói mas arrepia. Dói mas dá prazer. Inquilina dos corações vazios. Andarilha dos corações pesados. encharcados. Mas fugitiva do seu próprio coração. Torturante prisão. Veneno macio. Numa noite escura. Sem vontade de voltar pra casa. Que agora nem é mais minha casa. Eu moro nas ruas... nas camas... nas almas...
eu moro nos outros.
e isso já me basta.
vulgaridade que me aproxima.
aproximação que me afasta.

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