terça-feira, 4 de junho de 2013

De Gabriela para Gabriela

"Eu tinha saudades de casa, Bilbao foi o lar que eu me dei, e era ideal para mim, mas eu sentia falta de rever minhas raízes. Rever meu pai, meus irmãos, minha mãe, o Bolinho... Não tenho arrependimentos nessa vida, tudo que eu fiz foi por amor, o mais simples dele. Não sei por que as pessoas escondem aquilo que mais querem. É gostoso dar. Eu gosto de dar. Eu gosto das pessoas. Eu olho no olho delas, onde quer que elas estejam e existe algo que me chama, como se só eu pudesse alcançar naquele momento. Seus olhos me pedem abrigo, e o abrigo que eu sei dar é esse, por que eu não tive outro tipo de abrigo. Eu aprendi a amar na rua, não em casa. Na rua a gente ama sem mesquinharia, é pra todo mundo, sobra amor, sobra jeito de amar. Eu amo dando prazer e me sinto amado recebendo prazer. É bom, não é? Eu saio na rua e quero ver todos os sorrisos que eu não pude dar, e o que eu tenho pra dar, eu dou. Vou ficar regulando afeto? Regulando prazer? Me regulando pro outro? A vida é tão curta e a gente fica se dando em pedaços... Eu só consigo estar inteiro o tempo todo com quem estiver comigo, e estar inteiro é se dar inteiro. Eu cedo minha casa, minhas roupas, meu alimento, meu corpo, porque nada me pertence de fato. Está tudo aí pra ser dividido, partilhar é melhor que acumular... Eu não sei acumular afeto. Ele vaza, nas ruas, nos bares, nas esquinas, vazou em casa. A maneira que eu soube demonstrar o meu carinho, dentro da minha confusão, eu demonstrei. Trepar é meu carinho, é como um beijo, como um abraço, como ceder um cobertor. Porque eu vou fazer pela metade? Ceder o cobertor ao mendigo e não a companhia pra dormir? Eu não entendo. Eu sou o brinde que vai junto com o cobertor, eu sou um brinde que vem junto com a vida, pra todo mundo. Acho que todos somos brindes."
- Luis Antonio



Nenhum comentário:

Postar um comentário