"Aqui, ninguém vai pro céu."
O ruim de se excluir um problema é perceber que, mesmo sem ele, as coisas continuam falhando. Mas a vida é isso, não é? Milhões de coisas que não dão certo, que vão e vem, mas que no fundo não importam. O verdadeiro problema está dentro. Um dia, uma semana, alguns meses... dá pra sobreviver. Mas, e se isso for simplesmente parte da sua vida? Se isso não mudar quando você tomar um banho, dar um beijo doce, entrar na estrada? Se tudo isso que parece temporário for... você?
"A vida prega peças". Sempre detestei essa frase. Piegas. E sofrida. É como se você não pudesse escolher no que acreditar. A fé em algo de repente é inválida. E como fica a minha escolha? Sou obrigada a aceitar que algo maior está por trás? Eu, eu não posso. Eu apenas... não posso.
Ontem fui andar de bicicleta, pra tirar os pés cansados de dentro de casa. Mas, foi sufocante. Foi horrível! O céu... as estrelas, elas me maltrataram. SERÁ QUE EU NÃO POSSO ESCOLHER O CÉU QUE QUERO VER? O CHÃO QUE QUERO DORMIR? A fumaça, as luzes, os sons, me sufocaram em um nível impecavelmente duradouro. As razões explodiram em todos os segundos. Era como se não tivesse algo depois. Fim da linha. Aqui está a barreira entre você e o mundo. Mas eu ao menos sei que mundo é esse? Eu ao menos tenho certeza que aquele céu não é tão sufocante como esse aqui? E se eu conquistar o jardim... com flores mortas? Minha casa vai ser o lugar mais seguro? QUERO ME ARRANHAR. QUERO MORRER MAIS DE UMA VEZ. Quero sangrar de novo, e de novo, e de novo... mas não aqui, não aqui, por favor, não aqui.

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