sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Escarradas de um Deus misericordioso


E quando o mundo conspira ao seu favor?

Quando, mesmo não encontrando mais nenhuma luz para o que os mortos chamam de vida, a lua bate ansiosa em sua janela e, com todo o seu esplendoroso brilho, lhe pede um verso, pequenino que seja, só para se assegurar que em sono sonhará.
- Compartilharei contigo minha luz sob sua janela o tempo que for desejado. Lhe inspirarei nos seus mais profundos sonhos... somente se você fizer o mesmo.
- Não posso querida... Hoje nem o inferno me toca, quem dirá o céu. Hoje dói-me tudo. Dói-me a cabeça, os olhos, os pés.
Também dói-me a vida.
Eu só queria descrever em palavras bonitas tudo o que tenho sentido para que, no futuro quando encontrar essas recordações de poemas sujos em papeis amassados, pelo menos tenha a doce ilusão de que a dor foi elegante, apreciada de gole em gole. Porque o que tenho de mais fortes são desculpas, quando na verdade as insatisfações são coisas de dentro, entendes?
Porque... AH! Como ouso escrever sobre amor se nunca o senti verdadeiramente? Ou talvez eu até sinta sem saber. É como se ansiasse por algo totalmente utópico. Algo cada vez mais forte, cada vez mais profundo fantasiando que sentir amor é libertar a alma, desprender do mundo o próprio coração.
É só que... tenho medo... de estar errada. Tenho medo desse amor que sai da boca do povo, esse que faz sangrar, que faz prender, que faz chorar.
- E se, ao fazer amor eu fizer dor?
Mamãe! Se come pudor?
Quero que todas as respostas se calem, se torturem em silêncio pois o que quero verdadeiramente é ter questões ainda sem respostas em minha mente e, sei que vou levar um tempo pra admitir isso para mim mesma, isso porque escutamos as respostas com uma estranha sensação de que poderíamos viver e morrer e, ainda assim, suportaríamos uma existência sem mais essa verdade.
Desejo procurar as minhas próprias respostas, essas que já estão guardadas dentro de mim desde que dentro do mundo se guardam vidas como a minha. Sei que não é só uma questão de tempo para descobri-las. Para desvendá-las são necessárias questões de vida. Quilômetros. Passos. Corridas. Danças. Gritos. Doenças. Pulos. Bebidas. Orações. Transas. Curas. Comidas. Banhos. Palavras. Beijos. Trabalhos. Experiências. Toques. Lágrimas. Arrepios. Abraços. Cantos. Sensações. Sorrisos. Cartas. Tapas. Recordações. Roubos. Doações. Mergulhos. Suores. Livros. Sons. Pessoas [...]
Ardores, Temores & Amores.

Manhãs e tardes ele vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração


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