"Todos sabem que o admiro sem nunca ter ouvido uma única palavra de sua boca. Isso porque eu não preciso me basear no real para fantasiar o impecável. Meu B. é diferente só porque ele é todo meu e como única criadora desse homem que sei que existe... Eu moldo. Afinal, não crio alguém perfeito para mim, alguém que goste de tudo que eu gosto e me ame acima de tudo. Não, não. Eu crio um escritor apaixonado pela vida, alguém que tem sede de estrada, tem sede de madrugada... tem sede de tudo que não caiba dentro de si e que compartilhe então - comigo."
Quando tu te aceitas SOL e eu me aceito MAR, nós nos aceitamos vida.
Tudo são mudanças luz minha... Quando nós nos aceitamos como um só, então começa o tal do fazer amor. Tudo que faz me desnorteia, tudo que tocas vira chama. E então começa a dança. Nos despimos com um desejo tão bruto-delicado que poderia parti o mundo ao meio, só porque agora tudo é tudo, todo instante. Seus dedos tocam minha nuca e vão descendo devagar, minha espinha vira espinho e numa vida tudo é corte.
Só existe nós, só existe o nosso corpo.
E eu quero tudo isso. E eu quero todo esse ferver. Tu tiras minha blusa e me toca com cuidado, e parece que sou gelo e parece que sou água. Respiro descontroladamente. Uso tudo de mais sensual que uma mulher pode ter guardado dentro de si. Isso porque só agora me sinto mulher. Me toco como uma.
E você vai tirando mais e eu vou fazendo o mesmo... vou, te vendo melhor, afinal acabamos de nos aceitar como bichos, também. Despimos os receios burgueses e cristãos católicos e num instante que dura segundos no corpo e eternidades na alma eu sinto uma tal de dor. Sinto-a porque não se pode sentir um prazer tão intenso se não tiver um grande sacrifício antecedendo. São as regras desse tal Deus que contam por aí.
Então nos movimentamos devagar na noite de uma dia que não chega nunca. E eu te beijo doce, arrisco-me até a dizer que sinto amor de mãe... e você me toca como se eu fosse evaporar... eu te mordo como se você fosse carne, como se fosse a minha carne... e você me aperta... eu grito e você me segura firme: - I'm here, I'm here.

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